Preguiça ou Esgotamento? Como a Ciência Explica a Falta de Vontade e Quando se Preocupar
- Bruno Monte
- 7 de out. de 2025
- 3 min de leitura

Você acorda com o despertador tocando. Aperta “soneca” uma, duas, três vezes. Tenta se levantar, mas o corpo pesa. O dia parece longo antes mesmo de começar. Você não sente vontade — de trabalhar, de sair, de fazer o que sempre gostou.
Logo vem a culpa: “Estou com preguiça.”
Mas será que é só isso mesmo? Ou seu corpo está tentando te dizer algo mais profundo?
Neste artigo, vamos explorar o que a ciência realmente diz sobre a preguiça, as diferenças entre procrastinação, cansaço mental e esgotamento, e o que fazer quando essa falta de energia vira um sinal de alerta.
O que é preguiça — e o que ela não é
A preguiça costuma ser vista como um defeito moral, mas a neurociência mostra que, em muitos casos, ela é um mecanismo natural de autoproteção.
O cérebro humano é programado para economizar energia. Quando percebe que o esforço será grande e a recompensa incerta, ele ativa um freio automático que gera a sensação de inércia (Kurzban et al., 2013, Behavioral and Brain Sciences).
Por isso, nem sempre “falta de vontade” é falta de caráter — às vezes é fadiga cognitiva. E esse é o ponto que diferencia preguiça de outros estados.
Preguiça, procrastinação ou esgotamento?
Esses três termos parecem sinônimos, mas representam realidades distintas:
Preguiça: o corpo e a mente querem economizar energia — às vezes por necessidade.
Procrastinação: você quer agir, mas se distrai e adia (geralmente por medo, perfeccionismo ou ansiedade).
Esgotamento (burnout): é a exaustão física e emocional após longos períodos de sobrecarga.
Segundo a OMS (2020, ICD-11), o burnout é caracterizado por “exaustão extrema, distanciamento mental do trabalho e redução da eficácia profissional”. Já a preguiça comum é passageira e se resolve com descanso real.
O lado positivo do ócio: quando “não fazer nada” é necessário
Sim, existe um lado saudável na preguiça. Pesquisas recentes mostram que períodos de ócio e descanso profundo estimulam áreas do cérebro ligadas à criatividade e à resolução de problemas (Andrews-Hanna et al., 2014, Frontiers in Psychology).
É o que os cientistas chamam de “ócio criativo” — momentos de pausa que recarregam a mente e ajudam o raciocínio subconsciente a trabalhar.
Ou seja, nem toda preguiça é inimiga da produtividade. Às vezes, ela é apenas o pedido do corpo por silêncio.
Quando a preguiça é um sinal de alerta
Há momentos, porém, em que a sensação de inércia constante indica algo mais sério.
Se a “preguiça” vem acompanhada de sintomas como:
falta de energia mesmo após dormir bem;
perda de interesse em atividades prazerosas;
irritabilidade ou apatia prolongada;
dificuldade de concentração;
ou variações de humor intensas —
… pode ser sinal de depressão, disfunções hormonais ou esgotamento emocional (NIMH, 2022).
Nesses casos, o ideal é procurar acompanhamento profissional.
Como vencer a preguiça improdutiva e recuperar energia
Divida grandes tarefas em microetapas. O cérebro sente prazer em concluir pequenas metas.
Mude a perspectiva. Pense no benefício de agir, não na dificuldade da ação.
Crie rituais de início. Um copo d’água, uma música, uma frase de ativação — o corpo responde a gatilhos simples.
Equilibre esforço e recuperação. Produtividade não é ritmo acelerado, é constância sustentável.
Faça pausas conscientes. Um descanso genuíno é diferente de se distrair em excesso.
Como o Método MONTE atua nesse processo
Mente: trabalha a reprogramação de crenças sobre preguiça e produtividade.
Origem: investiga a raiz emocional da inércia — traumas, medo de fracassar ou autocrítica.
Neuroplasticidade: cria novos circuitos mentais com hábitos de foco e recompensas curtas.
Território: organiza o ambiente e a rotina para facilitar o movimento.
Elevação: ensina a respeitar o próprio ritmo e a agir com propósito, não culpa.
Nem toda preguiça é fraqueza — às vezes, é um pedido silencioso de pausa e reequilíbrio. Mas quando ela se torna constante e começa a roubar sua energia e motivação, é hora de olhar mais fundo.
No Livro + Diário do Método MONTE, você aprende a diferenciar descanso de fuga, culpa de pausa e cria ferramentas práticas para transformar a inércia em movimento consciente.




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